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O sonho de Maria


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Fabrizio Zandonadi Catenassi

Acostumar-se a sonhar é algo difícil para um adulto. Jesus nos convida a aproximar nosso coração dos pequeninos e neles, sem dúvida, há esta bela característica: sonhar, que significa ir além do que posso imaginar e prescrever, deixar de lado receitas e fórmulas diante de um Deus único e livre que se revelou à jovem Maria não como o Deus das programações, mas como o Deus do impossível.

O que pode uma jovem adolescente judia sonhar? Maria deve ter crescido sendo preparada para ser uma boa mãe, aprendendo a fazer pães com o trigo característico da Galiléia, crescendo sob o ar de obediência e fidelidade ao seu futuro esposo, para o qual se preparava desde muito cedo.

Como toda mulher de uma família, sonhava com um lar feliz, um marido dedicado e uma alma completa pela certeza de ter legado à sua posteridade o melhor que poderia dar para alguém. No entanto, prestes a se casar, não recebe uma confraternização entre amigas ou um dia de relaxamento. Recebe a visita de Deus.

Assim como doce pai que ama seus filhos, Deus paternalmente começa a confundir os limites de seus sonhos com os sonhos daquela jovem e empreende uma tentativa certeira de uni-los ao convidá-la a ser a mãe do Messias, o Ungido.

Certamente, como para todo bom judeu, o nome Ungido não lhe era estranho. Pelo contrário, havia naquele povoado de Nazaré, bem como em toda a Judéia e Galiléia o sonho mais profundo de ver o Salvador, herdado pelo esforço de seus pais, Abraão, Isaac e Jacó.

Esta esperança, e somente ela, daria sentido às chagas sofridas no deserto, à luta pela conquista de Jericó, ao exílio imposto por Nabucodonosor, à reconstrução do Templo, à perda da arca da aliança. O que era capaz de motivar aquele povo a continuar lutando, mesmo sob o jugo de tantos povos e revezes? Somente a esperança no Messias. Ela seria capaz de submeter o penoso cumprimento cego da Lei ao amor, de trazer novamente a esperança de voltar ao Éden, na intimidade com seu precioso Javé.

Assim, Maria não balbuciou um “sim” inconseqüente ou ingênuo. Tampouco lança mão de seus sonhos quando assume a vontade de Deus para sua vida. A mãe do Salvador diria sim para a esperança do povo hebreu e também para a espada que transpassaria sua alma.

Quando três décadas adiante, o mistério da Redenção manifesta-se no madeiro, a forte alma de Maria contempla seu sonho se tornando mais vivo. Não que sonhasse com o sofrimento de seu filho, mas sim, desejava ardentemente a felicidade de seus outros filhos adotivos. Seu sonho já havia se confundido com o do próprio Deus e em seu coração o brado forte de vitória se levantava amalgamado em suas lágrimas de mãe.

Maria conhecia o sentido de sua dor porque um dia nós poderíamos celebrar o tempo de glória pela obediência de seu filho. Porque hoje temos a esperança de contemplar nosso amado Deus face a face pelo sim desta mãe e pela entrega de seu Filho. Assim, Maria aceita a entrega de Jesus, na certeza de que daria motivos para que as gerações futuras a proclamassem bem aventurada.

O Deus de Maria é também o de Jacó, de Isaac e o nosso. Não é um Deus de fôrmas, não está rodeado pelos muros humanos. O Deus do Impossível nos ensina a sonhar, não dando aquilo que queremos ou desejamos, mas sim superando o que nossas limitadas idéias são capazes de conceber.

Deus respeita o que desejamos e esperamos dele e funde sua vontade nesta matéria-prima para dar sentido a ela. Só há sentido em sonhar quando sonhamos com Deus, para que assim nossa vida também ganhe sentido e nossos quereres não estejam sempre submetidos ao nosso egoísmo, mas sim à construção do Reino, que certamente é nosso maior desejo, consciente ou não.

Maria também teve seus desejos respeitados. Hoje é mãe não somente de Jesus, mas de toda a humanidade, virtuosa e bendita e quer nos ensinar a sermos obedientes à voz de Deus, assim como fez com Jesus, estendendo seu legado de mãe a todos aqueles que desejam ser seus filhos.

Assim, aprendemos que sonhar sozinho é frustrante. Amalgamar nossos sonhos com o plano de Deus é felicidade certa. Que Deus nunca dá na medida aos seus filhos, mas sempre supera nossas expectativas e planejamentos, pois Deus não é o Deus dos esquemas, mas sim o Deus do impossível.

Fabrizio Zandonadi Catenassi começou sua caminhada na RCC Londrina, onde atuou por muito tempo. Hoje é funcionário da RCC Brasil no Rio Grande do Sul.


Fonte: RCC Londrina

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