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Os desafios da vida do professor


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Ensinar é um dom
por Mariana Lopes

No dia 15 de outubro comemora-se o dia do professor. A história desta data inicia-se com um decreto de D. Pedro I baixado em 15 de outubro de 1827, declarando que todas as cidades, vilas e vilarejos deveriam ter a sua escola primária. Somente em 1947 que esta data foi dedicada aos professores, a partir de uma iniciativa dos docentes de uma escola em São Paulo, como forma de celebração. Logo a prática foi adotada por instituições de ensino de outras cidades e, em 1963, o presidente João Goulart assinou um decreto estabelecendo o dia 15 de outubro como feriado escolar, com o intuito de enaltecer a importância do professor.

Na sociedade contemporânea, a importância dos professores é muitas vezes menosprezada, tendo em vista os inúmeros desafios aos quais são submetidos: a desvalorização da carreira, as más condições de trabalho – sobretudo na rede pública de ensino, o comportamento e a indisciplina dos alunos, a presença massiva dos meios de comunicação como fontes de educação, entre outros.  Neste cenário, ensinar é primordialmente uma missão, muito mais do que uma profissão.

A pedagoga Roseli de Oliveira, professora há 14 anos no ensino fundamental e médio da rede estadual, conta que um dos grandes desafios impostos aos professores consiste na escola ter de assumir o papel da família no processo educacional dos alunos, uma vez que muitos pais, devido a rotinas de trabalho, deixam à instituição essa tarefa. Segundo Roseli, “os pais colocam a escola como única responsável por educar seus filhos. Quase não existe mais uma educação prévia vinda de casa, onde esses pais deveriam ensinar valores básicos”, explica. O processo educativo deve levar em conta tanto a necessidade de ensinar os conteúdos curriculares, tais como a língua portuguesa, a matemática, as ciências, assim como a importante tarefa de formar cidadãos. “Mas é necessário um envolvimento da família para que isso funcione”, completa a professora. 

O bullying no dia-a-dia

Outro desafio que os professores vêm enfrentando ultimamente é o bullying, termo inglês que designa as práticas agressivas intencionais (psicológicas ou físicas) executadas repetidamente, com o intuito de humilhar uma determinada pessoa, podendo ser praticado por crianças, jovens e adultos de quaisquer classes sociais, ocorrendo principalmente no espaço escolar. O motivo principal que leva a cometer o bullying é a necessidade de auto-afirmação perante um grupo social. Existem três componentes do bullying: o agressor, a vítima e as testemunhas, muitas vezes coniventes com a situação.

O perfil do agressor é normalmente o de uma pessoa com auto-estima elevada e com forte poder de simpatia no grupo em que convive. A psicóloga Milene Thomas explica que, muitas vezes, o agressor já foi vítima e passa a praticar o bullying como forma de vingança.  As vítimas, por sua vez, são escolhidas por apresentarem alguma característica, física ou psicológica, que a diferencie dos demais. Um dos alvos recorrentes de bullying nas escolas são alunos novatos. O comportamento dessas vítimas é profundamente alterado: problemas de relacionamento, tristeza, dificuldade nas matérias escolares, perda de interesse, medo de ir à escola e enfrentar seu agressor, podendo chegar à depressão e, em casos extremos, ao suicídio.

O bullying também traz complicações para o ambiente escolar, um dos espaços predominantes desse tipo de agressão. Roseli de Oliveira explica que normalmente o bullying na escola começa com humilhações verbais, quando alunos colocam apelidos pejorativos na vítima. Muitas vezes esses casos se agravam e o agressor parte para a violência física. Segundo Roseli, os professores e a coordenação da escola procuram conversar com esses alunos, orientando-os. “Quando acontece o bullying na escola, os professores já interferem, chamando a atenção do aluno. Tem que haver um trabalho de conscientização”, ressalta a pedagoga.

A promotora da vara da Infância e Juventude, Édina Maria de Paula, explica que o bullying não existe como crime penal, “o bullying pode ser caracterizado como uma forma de tortura, de maior ou menor grau. Existem casos que vão para a justiça, mas a melhor forma de combater o bullying é a prevenção”, afirma a promotora. Nesse sentido, a psicóloga Milene Thomaz reitera a importância de um trabalho de conscientização dos alunos, uma vez que o bullying é um problema do grupo e deve ser resolvido com o grupo.

Embora o bullying, assim como outros problemas no espaço escolar, seja como desafios à prática docente, muitos professores acreditam na educação. Para Roseli, tudo vale a pena quando se percebe a transformação do aluno. “Por mais problemas que enfrentemos na escola, nada é maior do que ver um aluno mudando seu comportamento para melhor. Temos que acreditar no poder de transformação do ser humano, para que a educação tenha sentido. Ensinar é um dom”, conclui a professora. 

Jesus, nosso grande mestre

Não poderíamos falar do dia dos professores sem mencionar o nosso grande mestre que foi Jesus Cristo. Por meio das parábolas, pequenas narrativas com uma moral, Jesus pregou a Boa Nova, ilustrando seus ensinamentos, que se perpetuaram como base da vida cristã. São cerca de 60 parábolas, como a do Filho Pródigo, da Figueira e dos Talentos, recontadas nos Evangelhos de Lucas, Mateus, Marcos e João.

A razão de falar em parábolas é explicada por Jesus em Mateus, cap. XIII, v. de 10 a 15:

“Seus discípulos, se aproximando, disseram-lhe: por que lhes falais por parábolas? E, lhes respondendo, disse: porque, para vós outros, vos foi dado conhecer os mistérios do reino dos céus; mas, para eles, não foi dado. Eu lhes falo por parábolas, porque vendo não vêem, e escutando não ouvem nem compreendem. E a profecia de Isaías se cumprirá neles quando disse: vós escutareis com vossos ouvidos e não ouvireis; olhareis com vossos olhos e não vereis. Porque o coração deste povo está entorpecido e seus ouvidos tornaram-se surdos, e eles fecharam seus olhos de medo que seus olhos não vejam, que seus ouvidos não ouçam, que seu coração não compreenda, e que, estando convertidos, eu não os curasse”. 

Uma breve e rica oração

Como uma homenagem a cada pessoa que se dispõem a servir, que tem sede
em aprender e ensinar e apesar dos desafios sociais que vive no
cotidiano, tem prazer em assumir como profissão ser professor, segue
abaixo uma oração. Deus abençoe a vida de todos com saúde e sabedoria!

Oração do Professor

Dai-me, Senhor, o dom de ensinar,
Dai-me esta graça que vem do amor.

Mas, antes do ensinar, Senhor,
Dai-me o dom de aprender.

Aprender a ensinar
Aprender o amor de ensinar.

Que o meu ensinar seja simples,
humano e alegre, como o amor.
De aprender sempre.
Que eu persevere mais no aprender do que no ensinar.
Que minha sabedoria ilumine e não apenas brilhe
Que o meu saber não domine ninguém, mas leve à verdade.

Que meus conhecimentos não produzam orgulho,
Mas cresçam e se abasteçam da humildade.

Que minhas palavras não firam e nem sejam dissimuladas,
Mas animem as faces de quem procura a luz.

Que a minha voz nunca assuste,
Mas seja a pregação da esperança.

Que eu aprenda que quem não me entende
Precisa ainda mais de mim,
E que nunca lhe destine a presunção de ser melhor.

Dai-me, Senhor, também a sabedoria do desaprender,
Para que eu possa trazer o novo, a esperança,
E não ser um perpetuador das desilusões.

Dai-me, Senhor, a sabedoria do aprender
Deixai-me ensinar para distribuir a sabedoria do amor.

Autor: Antonio Pedro Schlindwein. Texto do site
http://www.portaldafamilia.org.br/datas/professor/prof004.shtml


Fonte: Pastoral da Comunicação

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